sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nordeste - Parte 1



O que estudaremos?

A diversidade cultural brasileira em todos os seus aspectos.

O ENEM abriu as caixas do conhecimento e agora é necessário uma abordagem mais ampla de nossa cultura. Começaremos a estudar nossa formação cultural.
"Conhece-te  a ti mesmo" Sócrates




Cultura Brasileira

  • Fator de risco
- Globalização


  • Fatores constitutivos
- Grande dimensão territorial

- A diversidade oriunda dos vários povos que formaram o povo brasileiro



Conhece-te a ti mesmo

  • Saber nossa identidade passa pelo reconhecimento da multiplicidade cultural e sua relação com nossa diferenciada geografia, ou seja, reconhecer nossa herança cultural.
  • O estudo das artes, a literatura é apenas uma delas, é buscar compreender as interpretações sobre nossa terra, nossa cultura, nossa história; enfim, como diz a filosofia: conhece-te a ti mesmo.

O Início: O Nordeste – Da chegada do português ao axé


“O descobrimento”
  1. Visões do Brasil sob ótica européia
  2. O povo nordestino
  3. A temática sertaneja
  4. A cultura nordestina
  • Folclore
  • Literatura 
  • Dança
  • A música nordestina
  • Comida e vestuário



Visões do Brasil sob ótica européia
  • Do gênero epistolar, foi escrita ao rei de Portugal, D. Manuel I;
  • É a primeira representação literária da realidade brasileira;  
  • Inaugura a visão do que somos
  • Marca o início da formação da identidade brasileira e da nossa memória cultural



Pero Vaz de Caminha


  • Foi nomeado escrivão para feitoria de Calicute (contador);
  • Sua função era ter um olhar avaliativo sobre as atuações financeiras da expedição; 
  • Se viu na obrigação relatar ao rei sobre a descoberta;
  • Envia informações sobre o valor da terra, analisando suas águas, o clima e ares, a existência de metais preciosos e a natureza dos nativos.

Sobre a terra

"De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito fremosa. (...) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata... porém a terra em si é de muitos bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela deve lançar"

"Dança dos índios tapuias, óleo sobre tela de Albert Eckout, 1641".
"Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa de cobrir nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostrar no rosto. (...) Eles porém contudo andam muito bem curados e muito limpos e naquilo me parece ainda mais que são como as aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais ser."

Sobre a nudez das índias


Índia Tapuia, Recife - Albert Eckhout, 1641


"(...) Ali andavam entre eles três ou quatro moças bem novinhas e gentis, com cabelo mui pretos e compridos pelas costas e suas vergonhas tão altas e tão saradinhas e tão limpas das cabeleiras que de as nós muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha."



A Nativa X A Portuguesa


"(...) E uma daquelas moças era toda tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa, que a muitas, que a muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela."



Conclusão de Caminha



"(...) Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar."




Olhar modernista para a carta



A Descoberta                                                                        Os selvagens

Seguimos nosso caminho                                                Mostraram-lhes uma galinha 
por este mar de longo                                                        Quase haviam medo dela
Até a oitava da Páscoa                                                       E não queriam por a mão
Topamos aves                                                                      E depois tomaram como
E houvemos vista de terra                                                      espantados


As meninas da gare                                                             Primeiro chá

Eram três ou quatro moças bem                                          Depois de dançarem
moças e bem gentis                                                               Diogo Dias
Com cabelos mui presos pelas                                            Fez o salto real
espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão
saradinhas
Que de nós as muito bem
olharmos
Não tinhamos nenhuma
vergonha





ECKHOUT, A. “Índio Tapuia” (1610-1666).

Questão ENEM/2009

A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir, nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto.

CAMINHA, P. V. A carta. Disponível
em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 12 ago.



Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o trecho do texto de Caminha, conclui-se que


a) ambos se identificam pelas características estéticas marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento romântico das artes plásticas.
b) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de maneira realista, ao passo que o texto é apenas fantasioso.
c) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que é representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador.
d) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cultura europeia e a cultura indígena.
e) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, uma vez que o índio representado é objeto da catequização jesuítica.

Resposta correta:

c) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que é representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador.

Simulado Folha – ENEM 2001

Murilo Mendes, em um de seus poemas, dialoga com a carta de Pero Vaz de Caminha:


"A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias,
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muito,
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais
Diamantes tem à vontade
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca,
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora daqui".

MENDES, Murilo. Murilo Mendes — poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Arcaísmos e termos coloquiais misturam-se nesse poema, criando um efeito de contraste, como ocorre em: 
  • Arcaísmos léxicos: palavras em desuso. 
  • termos coloquiais : Estilo de escrever e discorrer próximo da linguagem comum, cotidiana
a) A terra é mui graciosa / Tem macaco até demais   
b) Salvo o devido respeito / Reforçai, Senhor, a arca 
c) A gente vai passear / Ficarei muito saudoso 
d) De plumagens mui vistosas / Bengala de castão de oiro 
e) No chão espeta um caniço / Diamantes tem à vontade

Resposta correta:

a) A terra é mui graciosa / Tem macaco até demais

Um comentário:

  1. Adriano,
    "Morte e Vida Severina" é finalista no Japan Prize 2013
    Lembrei de suas aulas. espero que contribua para as futuras.
    http://www.ebc.com.br/educacao/2013/09/morte-e-vida-severina-e-finalista-no-japan-prize-2013.

    Abraço
    Wanderquintao@gmail.com

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