domingo, 31 de julho de 2016

Arte Acadêmica Brasileira

A Batalha do Guararapes, Victor Meirelles


A Arte Acadêmica Brasileira, ou Academismo, foi um sistema com bastante autoritarismo e poder que o circuito de arte esteve todo envolvido e teve início com a criação da Academia Imperial de Belas Artes pela Missão Francesa.

O rabequista árabe, Pedro Américo

O estilo neoclássico, trazido pelos artistas franceses, serviu de base para a implantação do sistema Belas Artes brasileiro. A partir dele, rígidas normas e regras de ensino foram criadas,  como a imposição de modelos europeus e a hierarquização de gêneros, o que dificultou muito o contato com a realidade do Brasil.

Repouso, Almeida Júnior

O vínculo com a pátria artística colonial foi reforçado através dos prêmios de viagem à Europa, concedidos inicialmente em concursos internos na Academia Imperial de Belas Artes  e em seguida nas Exposições Gerais, . Os bolsistas recebiam instruções precisas sobre o que ver e fazer, os mestres acadêmicos que deveriam tomar como professores, as obras de museus que deveriam ser copiadas etc. Quando voltaram para o Brasil seu bom aproveitamento foi comprovado e os artista eram nomeados professores. E assim, mantinha-se o funcionamento do sistema acadêmico sem rupturas.


PEDRO AMÉRICO (1843-1905)

Auto-retrato de Pedro Américo como o soldado 33 na Batalha do Avaí

Além de artista foi também historiador, filósofo, escritor, romancista e poeta. Mas, sem dúvida, seu grande destaque foi como pintor. Sua obra esteve inserida na arte neoclássica, privilegiando temas históricos e personificações. Suas pinturas são fundamentais para se compreender o patriotismo criado entre os brasileiros. 

A visão de Hamlet

Pedro Américo é considerado um inovador na pintura brasileira e, pelo seu talento, recebeu variados prêmios nacionais e internacionais. Muitas de suas obras entraram para o imaginário coletivo, sendo reproduzidas em diversas ocasiões. Entre as pinturas mais importantes, além das já citadas, estão: A Batalha do Campo Grande, A Fala do Trono, Independência ou Morte e Paz e Concórdia.

Independência ou morte

A tela Independência ou morte é verossímil, mas não relata com exatidão o ocorrido no Dia da Independência. "Foi uma cena produzida pela imaginação do pintor. O próprio Pedro Américo reconheceu que seria impossível fazer uma relação entre a pintura e o episódio. Não apenas porque havia uma grande diferença de tempo [a tela foi pintada em 1888, e a Independência ocorreu em 1822], mas também porque não seria possível reconstituir minuciosamente o acontecido, faltavam relatos", explicou a historiadora e professora da USP Cecília Helena de Salles, coautora do livro "O Brado do Ipiranga".


Pedro Américo recolheu todas as informações possíveis, seja em texto ou imagens, ele adaptou segundo sua imaginação. Assim podemos dizer que a tela é muito criativa, e talvez seja essa a grande razão pelo grande impacto que ela causa até hoje. A composição está voltada para mostrar um episódio que ninguém viu."



Romantismo Acadêmico

Início da República Velha; a Academia Imperial vira Escola Nacional de Belas Artes (1892)

Resgate da figura de Tiradentes como herói dos ideais republicanos, 
propaganda política, comparação de Tiradentes com Cristo (como "salvador")

Sobreposição de triângulos, 1º plano destacado, 2º plano como linha do horizonte, peso visual equilibrado (simetria)







VICTOR MEIRELLES

O conjunto de telas de Victor Meirelles é formado por uma eclética síntese de referências neoclássicas, românticas e realistas, mas o pintor absorveu também influências barrocas. Consagrado como pintor histórico, seu quadro mais reproduzido nos livros escolares é A Primeira Missa no Brasil, feito durante sua estadia na França e exposto no Salão de Paris de 1861. Retrata a primeira missa da maneira como foi descrita na carta de Pero Vaz de Caminha, e muitos intelectuais do século XIX o consideraram como a primeira grande obra de arte brasileira.


A Primeira Missa no Brasil

Meirelles, cansado da pintura histórica, criou uma empresa especializada em pintar de panoramas, a partir de 1886: "Panorama Circular da Cidade do Rio de Janeiro" foi feito na Bélgica, em parceria com Henri Langerock (1830-1915) e "Entrada da Esquadra Legal no Porto do Rio de Janeiro em 1894".

Moema



Victor Meirelles não pintou uma cena de do livro Caramuru, de Frei de Santa Rita durão; preferiu retratar o que poderia ter ocorrido a Moema depois de ela “sorver-se n’água”. O corpo da índia aparece na praia, nu e inerte, imerso numa natureza evanescente, virado para cima, com a mão sobre o ventre, o braço estendido e as pernas juntas. Essa pose é muito delicada, artificial, que é muito bem marcado no arranjo de penas central no quadro, cobrindo o sexo e nos cabelos negros, longos e ramificados, que dão a impressão de vivos. 

O artista integrou seu quadro à tradição pictórica de nus estendidos sobre paisagens naturais, prolongadas ao horizonte; nus míticos e idealizados, dormindo ou sem vida, inconscientes de sua exposição e, assim, viáveis a olhos moralistas. Acrescente-se que a nudez de Moema, sendo ela uma indígena, era condição natural, inocente e plausível, o que autorizou ainda mais a sua transposição à tela. Moema respira o ar de mudanças profundas na pintura internacional.


ALMEIDA JÚNIOR

O Violeiro
Ainda no final do século XIX, quando as características acadêmicas predominavam na arte brasileira, Almeida Júnior foi o primeiro a pintar o homem do campo, seu ambiente, os costumes e o modo de vida interiorano. A obra do pintor mostra a vida do homem brasileiro que trabalha e vive na terra.

Caipira


A moça que lê, concentrada, representa o desejo de alcançar a modernidade e o cosmopolitismo das cidades-referência da Europa: Londres e Paris. A jovem se veste como uma européia e, assim como as mulheres modernas desse continente, ela lê.

Moça com livro, Almeida Júnior

Os longos cabelos tocando o chão fazem referência ao enraizamento da moça, a despeito de todas as suas tentativas de superar costumes antigos. Além disso, o tamanho dos cabelos pode representar uma questão religiosa, já que São Paulo era uma cidade essencialmente católica e a obra foi criada na época em que os bordéis habitavam a cidade.

Recado difícil


O menino, aparentando ter entre 8 e 12 anos, ocupa o primeiro plano da tela, e se encontra em frente a uma casa de pau a pique. Está humildemente vestido com uma calça amarrada na cintura, cujas pernas estão dobradas um pouco abaixo dos joelhos. Veste uma camisa branca de mangas compridas, aberta na gola, caindo sobre a calça. Traz nas mãos um chapéu preto, junto ao corpo, e tem a cabeça baixa, denotando, ao mesmo tempo, reverência e timidez. Seus pés estão descalços e maltratados.

Encostada na porta de madeira tosca, uma mulher, vestida com uma saia que lhe cobre os pés, blusa de manga comprida e xale vermelho, observa o garoto. Não dá para saber se é ela quem dá o recado ao menino ou é quem o recebe. O fato é que ele se mostra extremamente acanhado, comportamento bem peculiar às crianças do meio rural, naquela época.

A posição vertical da maioria dos elementos da obra conduzem o observador ao garoto, dele passando para a figura da mulher.

Saudade


O pintor Almeida Júnior retrata uma mulher, dentro de um ambiente doméstico bastante rústico e simples, vestida de negro e que chora enquanto olha para uma fotografia. “Mas dentro desse ambiente representado sem qualquer traço de idealização há outros elementos” – um observador mais atento poderia citar. Sim, e justamente são estes os elementos que auxiliam na representação fornecendo dados mais concretos. Assim, vêem-se uma canastra ao fundo da cena encimada por um álbum de fotografias e um xale branco e, na parede à esquerda, um chapéu de palha pendurado.



Nota-se, além disso, como Almeida Júnior compõe a cena mediante um sagaz jogo de ortogonais presentes na janela, na parede, no chão e na canastra, as quais são contrabalançadas pelas diagonais da tramela, dos braços da mulher e da luz que invade a cena. Almeida Júnior aqui articula perfeitamente seu esquema de ortogonais à fatura cromática, ou seja, o pintor empasta a tinta justamente aonde quer que haja maior carga dramática, como por exemplo, na face de Saudade e em suas mãos.


BELMIRO DE ALMEIDA

Recado difícil


Características

Realismo

Final do séc XIX e início do XX (1ª obra pré-modernista).

Ruptura com temas históricos/mitológicos/religiosos e início de um realismo voltado para a burguesia. O tema mesmo é simples: desentendimento de um casal, impassibilidade do marido e agonia da mulher, comparada à rosa, jogada ao chão.

Assimetria, elemento central (corpo da mulher) criando uma diagonal dinâmica; realce na decoração do ambiente; ambiente fechado, iluminação difusa e artificial; preocupação com padronagens (tecidos, texturas). 

Óleo sobre tela.

MODESTO BROCOS (1852-1936)


Características


Segundo Reinado (discussão da identidade nacional).

Embranquecimento da raça brasileira, fim da "lenda" da mestiçagem.


Composição estável, personagens em 1º plano e sensação de profundidade (o varal); iluminação difusa.

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