terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Carteira de meu tio - Análise da Obra - UFMG/2011

Olá galerinha! Estou postando agora a análise que fiz para a obra de Joaquim Manuel de Macedo: A Carteira de meu tio. Espero que gostem e façam bom proveito em seus estudos!


A Carteira de meu tio



Joaquim Manuel de Macedo


“INTRODUÇÃO E ET CETERA”

A “Introdução” revela ao leitor a postura política do tio, do sobrinho-narrador e do próprio Macedo.
O narrador usa da metalinguagem para tecer considerações críticas e cínicas a respeito de seu próprio comportamento. (Estratégia de conquista da confiança do leitor)

    • Diferencia dos narradores românticos que se distanciam do texto narrdo para garantir a verossimilhança
    • revela-se comentando seu próprio texto, explicando suas atitudes 
    • Dirigi-se ao leitor, que é tomado como um personagem que necessita ser educado para adquirir espírito crítico.


A política do EU


“a regra da época ensina que – cada um trate de si antes de tudo e de todos.”



Eu digo as coisas como elas são: há só uma verdade neste mundo, é o Eu; isto de pátria, filantropia, honra, dedicação, lealdade, tudo é peta, tudo é história, ficção, parvoíce; ou (para me exprimir no dialeto dos grandes homens) tudo é poesia. (p.19)



Ao povo, as espinhas...

Nós → Ministro e seus compadres (ficam com as postas grandes).
Vós → Os afilhados (ficam com as postas pequenas).
Eles → O Povo (fica com a espinha).

Os ministros repartem a garopa em algumas postas grandes, e em muitas mais pequenas, e dizem eloquentemente: “as postas grandes são para nós, as mais pequenas são para vós” e finalmente jogam ao meio da rua  as espinhas, que são para eles. O resultado é que todo o povo anda sempre engasgado com a pátria, enquanto o grupo e o séquito passam às mil maravilhas com ele. ( p.20)




  • O narrador se autodenomina sobrinho de seu tio, pois seu tio é alguém importante na sociedade, logo ser sobrinho de seu tio, era ter um nome: “... eu sou sem mais nem menos o sobrinho de meu tio: não se riam, que não há razão para isso: queriam o meu nome de batismo ou de família?... não valho nada por ele, e por meu tio sim, que é um grande homem.”



  • Ele passou 5 anos estudando em Paris, isso para seu tio que o bancava, pois na verdade a única coisa que ele não fez foi estudar. Acabados os 5 anos foi a Alemanha, conseguiu um diploma falto de qualquer coisa e voltou ao Brasil. 



  • Já o tio nos é apresentado como um homem de muito saber e poucas palavras – na visão do narrador, duas terríveis qualidades, que impediram inclusive que o tio fosse eleito deputado.


Aqui chegando, quando indagado pelo seu tio que carreira política seguiria ele se decidiu por ser político. O tio aceita: “... tens as duas principais qualidades que são indispensáveis ao homem que quer subir: és impostor e atrevido.”. 

Antes de ingressar na política o tio sugere que ele estude a cartilha de seu país. O tio manda ele fazer uma viagem pelo país no cavalo Russo-queimado (aparentemente um pangaré, lento), para observar o povo, a cultura e as mazelas que acometem o país. Todas as observações deveriam ser anotadas em uma carteira de viagem (caderneta).

Como companheira de viagem, o tio oferece-lhe a Constituição de 1824 que, alegoricamente, está enterrada no jardim: (p.25 e 26)
Acompanhando meu tio, entrei com ele no seu jardim, e dirigindo-nos ambos a um bosquezinho de ciprestes e de árvores da independência, um pouco enfezadas e tristes, descobri, por entre alguns p´´s de perpétuas roxas, um túmulo extremamente pequeno, que teria, quando muito, um palmo de comprido, quatro polegadas de largo
(...)
Li o epitáfio: continha apenas cinco palavras: era o seguinte:
                        “AQUI JAZ QUEM NUNCA VIVEU”
(...).
Abri o túmulo, e encontrei primeiro um caixãozinho de ouro: abri também este, e encontrei um outro caixãozinho de prata; abri ainda este, finalmente, envolvido em uma espécie de mortalha de veludo verde e amarelo, vi um pequenino livro, em cuja primeira página li o seguinte título:
                      CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO DO BRASIL
                                     25 de março de 1824.

  • O objetivo da viagem imposta ao sobrinho narrador é o da formação de uma moral política capaz de garantir, no futuro, a permanência do regime monárquico no Brasil. Macedo, dessa forma, critica os políticos sem, no entanto, atacar o regime defendido pelo Imperador que era a Monarquia.
  • Além da constituição, o sobrinho também leva alguns livrinhos, “as leis do império”, que serão avaliadas e ridicularizadas durante a viagem.

Capítulo I

  • Em que se prova (além de muita coisa, que quem lê saberá) que o cavalo de meu tio é incompatível com algumas estradas provinciais do Rio de Janeiro, e quase que se encontra um grande pensamento político chafurdado em um lamarão. (Lodaçal, lagoa formada pela chuva nas depressões de um terreno).
  • Ele checa o dinheiro, pensa em enganar o tio, reclama do cavalo e refleti sobr a mentira: “A mentira é um grande verdade da vida humana!”
  • Logo no início da jornada, o protagonista se vê em caminhos esburacados e lamacentos.
  • O sobrinho-narrador conclui que o presidente daquela província “não tinha amigo, nem compadre, a quem visitasse uma vez ou outra, ali por aqueles lugares”. 
  • Paga um pedágio e espera encontrar estradas em condições melhores. Acaba preso em um atoleiro e é ajudado por um “homem de botas” que se encontrava à beira da estrada, montado em uma mula.
  • Era um amigo do tio... O Compadre Paciência.

O grande pensamento era: “... as assembléias provinciais é um traste de luxo, para nada presta, e que de nada serve ao país...”, pois “...não abrem nem consertam estradas, não levantam pontes, não valem decerto as despesas e os incômodos que se têm com elas...”.


O que é uma alegoria?

  • Etimologicamente, o grego allegoría significa “dizer o outro”, “dizer alguma coisa diferente do sentido literal”.
  • Expressão do pensamento ou da emoção, muito usada em literatura, pintura e escultura, pela qual se representa simbolicamente um objeto para significar outro. 

  • O Compadre Paciência é o incorruptível, uma voz antagônica que se contrapõe, veemente ao longo das memórias, à do sobrinho-narrador. (sentimento nacionalista romântico)
  • “a política da nossa terra apresenta-se às vezes com tão mau cheiro, e os politicões fazedores de programas empregando sistemas, em que tanta gente se atola, que bem se pode dizer que suas ideias são miasmas, que exalados de um paul, infeccionam a nação(...) (p. 36)
  • Percebe-se que a crítica é especificamente aos políticos provinciais e não à forma de governo da época, que era a Monarquia:
  •  (...) o presidente da província é uma autoridade encarregada de não executar as leis do Império, nem as da província que administra.( P 37) 
  • (...) a monarquia brasileira é bela como uma obra do céu(...) p(38)

Capítulo II

"Como depois de se demonstrar que às vezes idéias muito feias se encapotam em frases e palavras muito bonitas, e que às vezes se perde quem deixa o atalho para seguir a estrada real, convém o homem das botas em dizer quem é e, metendo-se na política geral, conta uma historia de porcos e de milho, que traz seu dente de coelho, e no fim dela se vê arder a casinha de um pobre e logo adiante ouve-se um nenê, filho de um inspetor de quarteirão, lendo um artigo da Constituição do Império.”

Atalho ou desvio?

O homem (Compadre Paciência) ensina ao narrador um atalho para que ele saia do  outro lado do lamarrão; no entanto, o atalho deveria ser um caminho mais curto do que  o caminho real e o que o narrador observa é que, pela extensão, trata-se de um desvio. Este é mais um fato que o leva a fazer uma reflexão sobre a realidade brasileira, pois  para ele, é isso que fazem muitas pessoas imporantes no nosso país: 

  • “quando se quer fazer admitir, ou pôr em ação um pensamento ou sistema que convém aos nossos interesses,..., disfarça-se o bicho dando-se-lhe um nome sonoro...”. “Ora se só os homem de botas fizessem isso,..., teria andando de botas os tais frades da Inquisição, que ao mesmo tempo que assavam em crepitantes fogueiras os pobres infelizes que lhes caíam nas unhas, desenrolavam ante a multidão os estandartes do Santo Ofício...”. 
  • Conclui que “... disfarçar uma ação que os tolos consideram imoral ou indigna, dando-lhe um nome de uma idéia generosa,..., é um fato que se vê reproduzido todos os dias, não somente pelos homens de botas,...”, mas por todos.
  • “... Programa se resume em uma só palavra – tolerância!”. Depois ele despediria alguns funcionários honrados que não pensam como ele. Logo após ele pensaria como dar férias a Constituição já que suas leis incomodam, mas percebe que para aprovar algo terá que segui-la. Conclui assim que um programa ministerial é um monte de palavras que serve para exprimir o contraio do que os ministros tem no pensamento. E assim deve ser já que o povo adora aparências.

Pobre honrado…


  • (…) imagine cada um a vida que passa o homem pobre e honrado, e a compare depois com a vida que goza mais ou menos cedo o homem, que começou também pobre, mas que não crê na virtude, nem a pratica, e que semostra sempre superior a todas essas vãs considerações, que, no dizer dos papa alvos, são a base de toda a sociedade. Aí temos um homem pobre,  e honrado em toda extensão da palavra! Segue à risca as leis de Deus, e obedece à dos homens, a mentira nunca nodou seus lábios, nem lhe fez corar as faces; nunca um pensamento imoral lhe enegreceu a alma; e preferiria antes morrer de fome e de sede a viver na abundância, usurpando a fazenda alheia; trabalha noite e dia para dar pão a seus filhos; tem uma consciência pura, um coração cheio de honra, faz a seus semelhantes o bem que pode; em uma palavra, cumpre todos os deveres de um cristão, que tem fé, e todos os deveres de um cidadão, que ama a pátria. Mas… é pobre! Pobre nasceu, vive pobre, e há de pobre acabar: que lhe faça muito bom proveito!
  • Quem faz  caso deste pobre diabo, que andou sempre pela estrada real?... Quem honra a sua honra? (…) p.45

...rico desonesto

  • Era há poucos anos um miserável diabo, que vivia de suas agências, e mais não disse; não tinha onde cair morto, e portanto ninguém fazia caso dele (…).
  • (…) vai senão quando, no fim de dez ou doze anos, o pobretão aparece milionário!
  • Mudam-se as cenas; dantes ningu´´m tirava o chapéu ao indigno tratante, olhavam-no com desprezo (…). Banhou-se no Jordão da riqueza, e ficou limpo e puro de todas as passadas culpas!...
  • E por onde chegou ele ao cume das prosperidades? – Pelos desvios: se tivesse vindo pela estrada real, estava na esteira velha.
  • É verdade que o tal bargante, para se enriquecer, fez a desgraça de muita gente: mas que tem isso? P.47

"Viva, pois o dinheiro, que é a única realidade”.

  • Ele cita vários exemplos de pessoas que foram honradas e acabaram mal: Sócrates, Thomas Morus, Régulo... E cita vários que foram pelos desvios e acabaram bem como Lícon, Dionísio, Henrique VIII...

“Dize-me o que tens, que eu te direi o que vales”

  • No final do desvio ele vê que o homem de botas lhe espera. Este agora, se apresenta formalmente como sendo compadre Paciência, um amigo do tio dele, enviado para lhe fazer companhia durante a viagem. Compadre Paciência se autodenomina “...roceiro ignorante e rústico, que ainda reza pela cartilha da independência: não faça casa das minhas excentricidades; tenho a mania de ser homem de bem e de acreditar que a base de toda a política deve ser a virtude: asneiras de homem da roça!...”


Eu me pergunto com que roupa eu vou...





    Saquarema (Conservador) 



    ou



    Luzia (Liberal)








      • Eles seguem a viagem juntos e pelo caminho eles encontram uma casa em um vilarejo em chamas. 
      • O dono da casa foi voto contra a situação
      • O próprio delegado e chefe de uma chapa do governo foi o autor do crime.
      • Paciência fica furioso com a situação. 
      • O sobrinho do tio acha tudo muito natural, pois para pobres não havia o direito de voto, pois se isso acontecesse não haveria estabilidade no governo, “... adeus minhas encomendas.”. 
      • A idéia dele é que há supremacia do rico sob o pobre, pois é uma lei natural que diz que todo homem tem que mandar em alguém e que isso segue uma ordem: Homem rico manda no homem pobre; homem pobre manda no escravo; escravo manda no cachorro.


      Os dois deixam o vilarejo e seguem viagem, e quando passam em frente a casa do tal delegado o vêem na porta, e ouvem a voz de uma criança que recita dentro da casa a Constituição, o filho do delegado.




      Capitulo III


      "Como depois de considerações transcendentes sobre a Constituição do Império, prova-se até à evidência que é pela barriga que se governa o mundo: faço uma conciliação , de que muitos nos aproveitamos, eu, o meu compadre Paciência, o cavalo de meu tio, e a mula ruça; admiro as idéias políticas de um estalajadeiro que tem nariz e barriga de estadista; vou deitar-me e tenho uma visão, que me deixa de boca aberta.”

      O sobrinho confessa que a casa em chamas e as lágrimas das mulheres quase o comoveram. Conclui que a Constituição é como um sorvete para os dias quentes, a diferença é que sorvete só não se tem quando falta gelo e a Constituição é o oposto, é uma “... coisa que raramente dá sinal de vida entre nós, pois é uma defunta que os ministros de Estado temem...”.

      • Ele diz detestar a Constituição por três razões: “... primeiro, porque assim me assemelho a muitos dos grandes homens da minha terra” ; 
      • “segundo, porque a Constituição do Império é um poema, e eu abomino a poesia”; 
      • “terceiro. Porque ou ela há de ser sempre letra morta, e em tal caso é melhor enterrá-la que é obra de caridade dar sepultura aos mortos, ou tem de ser letra viva algum dia, e por isso mesmo é muito conveniente acabar com ela quanto antes...”.
      • Os dois estão com fome e irão parar em uma estalagem. Paciência pede que ele não fale de política na estalagem, pois o dono é governista é não admite ser contrariado. O narrador, para se divertir resolve que irá contrariar o dono da estalagem só para testar a fúria do homem.
      • O nome do estajadeiro é Constante e é governista desde sempre, mais um adepto da política do EU, um Marca-de-judas.

      • A “Política da Barriga”, teoria criada aqui para satirizar a política de alianças entre conservadores e liberais no Período Imperial é alegorizada nesta passagem. O narrador discorda do proprietário para que, depois, com fome, viesse a se conciliar com o mesmo.
      • Ao dormir o narrador tem uma visão que corresponde a um retrato do Brasil Imperial, marcado pela corrupção, pelo servilismo, pelo desrespeito à Constituição, pela fantasia do progresso material e pela pobreza da maioria da população
      • O narrador vê, então, uma enorme procissão onde a maioria das pessoas anda de pernas para o ar, do que ele deduz que nesse império tem-se um mundo às avessas. A imprudência, o servilismo, a imoralidade, a corrupção, a mentira e o individualismo têm lugar de destaque na procissão, enquanto o mérito anda atirado aos cantos, a honra coberta de farrapos e, em consequência, a miséria toma conta da multidão.
      • Em seguida o narrador vê como se comportam governo, magistratura, guarda nacional.
      • Essa procissão grita a mesma frase repetida várias vezes pelo Sr. Constante, dono da estalagem: “– Progresso material!”
      • Guiando a marcha, há um rapaz que, embora tenha o sorriso doce, tem o coração cheio de fel – trata-se do senhor Engodo e na bandeira que carrega também há a inscrição: “Progresso Material!” 
      • Atrás do senhor Engodo vão as senhoras Empresas, subdividas em Estrada de Ferro, Navegação a Vapor, Companhia de Iluminação a gás, Colônias, e assim por diante.
      • Mas o que se percebe é que alguns figurões que estão no poder valem-se das empresas, do suposto progresso material que atingiria a todos para manipular e enganar o povo.
      • Caminhando atrás dos políticos há um grande número de pessoas dispostas a defendê-los desde que recebam vantagens em troca, o que pode ser confirmado pelo “Hino do Venha a Nós”, cantado por essas pessoas.
      • Outra figura importante na procissão é a senhora Agiotagem, responsável pela venda de ações das empresas e pela especulação financeira; há também outros nomes de peso como a Imoralidade, a Hipocrisia, o Escândalo, a Corrupção, o Egoísmo, a Intriga, a Traição, a Covardia e muitos outros
      • Mas logo atrás da brilhante procissão que tão entusiasticamente saudava o progresso  material e a riqueza de alguns, vi uma multidão de gente sem conta, todo ela triste, abatida, sem direitos, sem crenças e quase enfurecida, porque além de seu abatimento, além da sua descrença, e além da consciência que tinha de que seus mais caros direitos eram todos os dias postergados, ela se mostrava ainda andrajosa, e horrorizada diante do aspecto mirrado da fome que de perto  a ameaçava.  P.94
      Capitulo IV

      • “Como o compadre Paciência fez-me levantar da cama ao romper do dia: despedimo-nos do Marca-de-judas, continuamos a nossa viagem; dou conta da visão que tive ao meu companheiro, que a explica como a cara dele; chegamos a uma vila (cujo nome deixo no tinteiro), onde, depois de tropeçar em uns artiguinhos constitucionais, que estavam na cadeia rolando pelo chão de envolta com os tamancos do carcereiro, subimos à casa da câmara e assistimos a uma sessão de júri, que fez o compadre Paciência ter ocasião de dizer cobras e lagartos contra os sábios patriotas adversários dessa instituição perigosa.”

          
      • No outro dia compadre Paciência o acorda antes do sol, ele paga a conta caríssima e se vão. No caminho ele conta seu sonho a Paciência que ouve e diz que o sonho dele é só o retrato da atualidade. Paciência lhe explica como o sonho mostra que o progresso material não esta a par do progresso moral do povo, sendo que o primeiro só vale quando está a par com o progresso moral e político.
      • Diz que a vida devassa não leva a felicidade, ao contrário. Diz que as sanguessugas estão sugando a nação, que o sistema desacredita o povo que cairá ao desespero e que nesse momento se dará uma revolução. Logo, de que adianta melhoramentos públicos se não há moral política?  Diz que a moralização da nação só pode ser feita através do patriotismo, honra e boa vontade.
      • O progresso material é só uma forma de tampar os olhos do povo para a corrupção e desonestidade. Daí o governo se desmoraliza e com ele o povo, infringindo assim, as leis da Constituição. E para finalizar Paciência diz querer progresso material desde que ele venha junto com o progresso moral.
      • O narrador não só não concorda como também se compadece pelo fato de o Compadre ser para ele um pobre homem da roça, incapaz de entender o funcionamento da política:
      • Este meu compadre improvisado é um pobre homem, que tem a cabeça cheia de teias de aranha, e agora deu-lhe a mania para andar proclamando que a corrupção dos povos nasce de cima, e que o  nosso povo vai se desmoralizando cada vez mais por culpa do governo, que dá os mais fortes exemplos de desmoralização, infringindo e postergando todos os dias a Constituição e as leis do Império. P.107
      • “O júri é um tribunal, para ser membro do qual baste ter bom senso, segundo diz a lei, e por conseqüência não há bicho careta que não se suponha com direito de ser jurado!...”. “Veja que lei estúpida, ou antes que excelente lei e que estúpida interpretação se lhe dá. Bom senso! Pois deveras o bom senso é coisa que se ache por aí assim com tanta facilidade, que não há freguesia que não dê cinqüenta ou cem jurados?”. 
      • “Bom senso muitas e muitas vezes não se encontra nos atos dos próprios diretores do governo do país”. “Há deputados que pelo simples prazer de agredir ministros comprometendo o governo: terão bom senso tais deputados?”, “Há jornalistas que defendem os atos mais revoltantes e atacam os mais justos só pelo prazer de defender ou atacar: terão bom senso tais jornalistas?”, “Terão bom senso os que gastam tanto com teatro italiano que daria para abrir uma estrada?”.
      • Ele entram no tribunal e vêem que tem pouquíssima gente, apesar do tribunal ser gigantesco. Compadre Paciência fica decepcionado. Pouco tempo depois os dois ficam sabendo o que se passava: alguns jurados faltavam, mas eram pessoas importantes, então a sessão foi adiada e por isso o tribunal estava uma algazarra.

      • O escrivão que estava muito nervoso começou a xingar o júri e o compadre Paciência foi ficando irritado. O narrador tentou segura-lo mas não conseguiu escapar e começou a discutir fortemente com o escrivão, quase que desacatando-lhe, e o escrivão diz que irá confundir tal roceiro. No entanto compadre Paciência argumenta tão fortemente que o escrivão não consegue e chega a ponto de perder a paciência e partir para a porrada e começou uma pancadaria só dentro do tribunal entre Paciência e o escrivão. Conclusão: compadre Paciência foi preso, o escrivão não.
      • Assim o sobrinho do tio conclui que a policia é o 6° e o penúltimo poder do Império, pois alem dos 4 já conhecidos pela defunta ainda há 3 dos quais ela não fala:

      5° O patronato
      6° A policia
      7° O fisco 

      • Final das contas: o narrador terá que livrar seu compadre da cadeia e depois continuar sua viagem.

      Observações pertinentes sobre o Livro



      • Como um romance de costumes aborda o fato de estudar fora do país (o autor é de origem burguesa), e os que voltavam traziam consigo idéias liberais e questionadoras dos costumes que encontravam aqui.
      • O autor acima de tudo faz uma critica não só a um grupo determinado, como também a si mesmo, um burguês.
      • O costume político é o mais abordado no livro. Toca-se em assuntos importantes como a crença do EU, particularismo e política.
      • O sobrinho divide na introdução a sociedade em 3 partes nós (elite), vós(puxa sacos) e eles (povão).
      • O individualismo é uma característica romântica, assim como a quebra de status e ausência de posição revolucionária. Ele critica as coisas erradas, mas faz o mesmo, compactua. Ele trata da Constituição legal, mas que ninguém obedece.
      • Postura não romântica – ele obedece aos “grandes mestres” que fazem quebra de lei no pais; valoriza mais dinheiro que o resto, é um anti-herói.
      • O narrador é personagem, logo o que nos narra pode não ser confiável.
      • O Narrador afirma que independente de quem estiver no poder no país a situação não muda.
      • O livro, embora do século XIX continua tratando de assuntos bem atuais.

        7 comentários:

        1. Vc está ajudando demais, estou adorando seus estudos.
          Li todos os livros e seus estudos estão bastante propícios para fixação do enredo e características individuais de cada obra!
          Obrigado e Parabéns!

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        2. Galera, obrigado pelo comentário. Fico feliz em poder ajudar. Boa Prova!!

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        3. quais movimentos literarios estão presentes na obra?

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        4. Dayany,

          Esta obra é do Romantismo. Estranho, né? Porém você não pode se esquecer que uma das características do Romantismo é o questionamento. Assim, pensar que o Macedo que escreveu o "glicosado" romance A Moreninha é o mesmo que escreveu este nos causa certo estranhamento. Lembre-se também que a ironia presente nesta obra também era marca do nosso romântico Álvares de Azevedo e do crítico romancista Manuel Antônio de Almeida. E claro mais tarde foi o ponto forte do nosso Machado de Assis...

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        5. Excelente sua análise!

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        6. Parabéns para a autora da análise,brilhante e esclarecedora.Fico feliz por saber que existem pessoas que se dispõem a mexer no computador para fazer coisas descentes e construtivas!

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